quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Câmara aprova proposta que aumenta número de vereadores

Do UOL Notícias*
Em São Paulo e Brasília


A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (22), em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição que aumenta o número de vereadores no país dos atuais 51.748 para até 59.791. A medida prevê também a redução dos percentuais máximos de repasses de recursos municipais para serem gastos com as câmaras de vereadores. Ou seja, as Câmaras Municipais continuariam a receber o montante previsto pela Constituição Federal, sem aumento nos gastos mesmo com a criação dos novos cargos.

A aprovação foi comemorada pelos deputados no plenário. Foram 380 votos a favor, 29 contra e duas abstensões. A medida será agora promulgada em sessão solene do Congresso.

De acordo com o relator da proposta, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), a medida vale imediatamente. "Não adianta o Tribunal Superior Eleitoral vir dizer que isso valeria para 2012. No texto está bem claro que isso é imediato. Sem falar que os efeitos de PECs [Propostas de Emendas Constitucionais] estão acima de qualquer regulação do TSE. Pode haver vereadores que não assumam de cara, porque a lei orgânica de alguns municípios mudou, mas isso é questão de tempo", afirmou em entrevista ao UOL Notícias, antes da votação. No primeiro turno, a PEC teve 370 votos a favor, 32 contrários e duas abstenções.

As cidades mais populosas do Brasil não devem ser afetadas pela medida, de acordo com o relator da PEC na Câmara. Ele não fez nenhuma mudança no texto aprovado pelo Senado. Por isso, o texto será promulgado sem nova votação dos senadores.

No ano passado, a Câmara aprovou uma PEC para aumentar o número de vereadores e reduzir os gastos com os legislativos estaduais. Na votação no Senado, a PEC foi desmembrada em duas e os senadores aprovaram somente o aumento de vereadores nas Câmaras Municipais. Um acordo sobre os gastos acabou adiado. A discussão foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde o início deste ano, os suplentes de vereadores, que serão beneficiados pela proposta, passaram a frequentar as dependências da Câmara e pressionar os deputados para a votação da PEC.

Aumento só em 2012
O presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, afirmou nesta terça-feira (22) que o aumento no número de vereadores não deverá valer para a atual legislatura.

"Com base no que já foi decidido pelo Judiciário, entendemos que, para entrar em vigor, a alteração teria que ser feita até 30 de julho do ano passado, que era o prazo das convenções municipais. Entrando depois, como é o caso, não pode vigorar para essa legislatura", disse Ziulkoski. "Portanto, neste mandato, na nossa opinião, esses vereadores não vão assumir".

O que ele prevê que valerá a partir de 1º de janeiro é a redução dos gastos das Câmaras Municipais. Contudo, a CNM também relativiza essa redução. "Nós temos entendimento muito claro que, com o que foi construído, não vai haver economia na realidade".

Ziulkoski contabiliza que as Câmaras Legislativas gastaram pouco mais de R$ 6 bilhões no último ano. Bem menos do que permite o teto constitucional, cerca de R$ 10,2 bilhões.

"Quando dizem que a alteração vai reduzir os gastos, significa baixar de R$ 10,2 bilhões para R$ 9,1 bilhões. Só que as câmaras estão gastando R$ 6 bilhões. Então, o efeito é zero", afirmou.

* Com informações de Maurício Savarese, em São Paulo, e Claudia Andrade, em Brasília

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Senado aprova MP que destina até R$ 1 bilhão para os municípios


MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O Senado aprovou nesta quinta-feira a MP (medida provisória) 462/09 que destina até R$ 1 bilhão aos municípios para compensar perdas nos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) com a crise econômica mundial. Como a proposta foi alterada pelos senadores, terá que voltar para nova análise da Câmara.

Durante a votação, líderes de governo e oposição protagonizaram um novo embate. O motivo foi a inclusão no texto de 23 emendas que tratam de diversos assuntos. Como há um entendimento na Câmara que proíbe inserção dos chamados "contrabandos" --artigos que sejam diferentes do texto principal das medidas provisórias--, o relator da matéria e líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acabou acolhendo sugestão de senadores para mudanças na proposta que não tinham relação com o teor principal da matéria.

Em resposta aos "contrabandos", o vice-líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), tentou adiar a votação para a próxima semana, mas foi voto vencido. "Essa MP é um monstrengo, um escárnio à juridicidade", disse.

Apesar de a medida tratar da recomposição de recursos para as prefeituras, foram acrescentados no texto dispositivos que tratam da ampliação da renegociação da dívida agrícola, da isenção da cobrança de impostos (PIS/Cofins) em aparelhos ortopédicos para deficientes e ainda novos critérios de gestão para o Programa Bolsa Família, além de modificar a lei que autorizou o Banco Central a conceder empréstimos em moeda estrangeira.



Após a votação, Dias afirmou que vai recorrer à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para reverter a aprovação do texto. "Vou recorrer porque essa medida provisória é um monstrengo. Não sei como arautos do Direito conseguem dormir à noite depois de subscrever uma MP que é uma afronta à Constituição do país", disse.

O líder do governo minimizou os "contrabandos" e disse que parte da matéria pode ser derrubada durante a sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ir à sanção não é garantia de não-veto. O governo vai analisar e o presidente Lula pode decidir vetar o que for alheio ao que o Executivo propôs inicialmente quando editou a MP", afirmou.

Na volta para a Câmara novas emendas não podem ser incluídas. Os deputados apenas decidirão se acolhem ou rejeitam as emendas dos senadores. Somente depois desse trâmite é que o presidente Lula irá debruçar-se sobre a versão final para determinar se haverá vetos.

Leia mais

Leia outras notícias de política

Especial